AO ACASO

 

Sabe aqueles dias que você está mais afim de relaxar, de sair por simplesmente sair? Pois é...
Quinta-feira. Dão 18 h no relógio. Paro de trabalhar. Levanto, vou até a geladeira, pego uma lata de cerveja, volto para o micro. Abro a latinha de cerveja - é impressionante como o som que faz esse ato às vezes cai tão maravilhosamente bem. Acendo um cigarro; tomo um gole, com vontade, de cerveja. Como cai bem. Olho para a tela do computador. As pessoas começam a entrar no MSN. Falam comigo. Respondo todas. Levando, subo até o quarto onde tem o DVD e coloco Ana Carolina – Eu gosto de mulher. Desço. Sento no computador e surge a vontade de sair. A música ecoa na minha alma: “eu gosto de mulher”. Quero sair. Levanto. Tomo uma banho; me visto sem compromisso. Desço. Despeço-me de todas no MSN. Desligo o computador. Saio. Fecho a porta da casa. Vou caminhando para o ponto do ônibus meio que sem rumo. Pego o primeiro ônibus que passa. Desço na Paulista, logo no começo. Olho para em direção ao Shopping Paulista...aperto no peito. Começo a andar pela Paulista. Passo pelo Frans Café, atravesso a rua, caminho um pouco e uma garota me olha de forma fica. Passamos uma pela outra. paro. Viro-me para trás e digo: “ei”. Ela pára, se vira e diz: “oi”. Digo: “você estava olhando para mim”. Ela vem até mim; chega junto ao ponto de eu sentir a sua respiração. Ela diz: “te incomodou?”. Olho nos olhos dela, me aproximo ainda mais, como se fosse possível fazer isso. Digo: “só incomodará se você não vier comigo”. Ela sorri; pergunta onde vou; convido-a para ir no cinema. Caminhamos em silêncio até o Gemini. Sem olhar o nome do filme, compramos o ingresso, entramos. Sentamos na última fileira de cadeiras. Cinema a vazio. Sensação estranha. O silêncio continua. Tela acende, luzes se apagam...indicação de saída de segurança na tela. Ameaço levantar. Ela coloca sua mão na minha perna. Encosto minhas costas na poltrona novamente. Ela diz: “relaxa”. Sai da poltrona; abre meu zíper; abaixa minha calças. Olha para mim; sorri. Começa a me lamber sem deixar eu tocá-la. Perco completamente a noção de onde estou. No meu gozo, que não sei se o que realmente fiz., ela se levanta, me dá um rápido beijo e se vai. Fico ali, parada...por quanto tempo? Não sei. Olho para a tela e me pergunto que filme é esse. Subo minhas calças; levanto; saio do cinema. Chego na rua, olho para a Paulista anoitecida. Caminho até em casa; abro a porta, ligo o computador e começo a escrever, como num diário, o que foi a minha noite de quinta-feira.

 

DRICA GENTILE

 



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