FESTA DE ANIVERSÁRIO

 

Eu andava meio para baixo, um tanto desanimada. Conversava pelo MSN com uma amiga há algum tempo. Ela tinha se separado da sua namorada há um ano, tinha dois filhos do seu casamento hetero. Uma menina de 17 anos e um menino de 8 anos. Falávamos sobre assuntos diversos e ela percebeu que eu estava precisando me afastar um pouco de tudo e ai me convidou para passar uma semana com ela e sua família em São Sebastião. Disse que era aniversário de sua filha, e que além deles iam dois amiguinhos de seu filho e duas amigas de sua filha. Hesitei um pouco; não a conhecia pessoalmente. Cheguei até mesmo a desconversar. Ela foi insistindo e uma amiga me convenceu a ir. Acabei aceitando o convite. Na quinta-feira seguinte seguimos viagem, eu, ela, seu filho e os dois amigos dele. Fomos de carro e as meninas pegaram carona com o pai de uma das amigas de sua filha na sexta a tarde, porque as meninas tinham vestibular. Fazia tempo que eu não ia para São Sebastião. No caminho fui brincando com as crianças, logo fazendo amizade. Meu lado infantil incorrigível. Nos damos todos bem. Clara, a amiga da Internet, fazia de tudo para eu me sentir a vontade. No caminho seu filho – Pedro, perguntou se eu era a nova namorada da mãe dele. Rimos e achei muito legal a espontaneidade dele e dos seus amiguinhos. Começaram a falar da ex dela e, como senti que isso, de certa forma, a incomodova, consegui mudar de assunto. Perguntei do que ele gostava. Disse que ia ser o criador de um site que ia ganhar fortunas na Internet; que adorava aventuras. Falava sem parar, até que Clara chamou a sua atenção e ele passou a se distrair com os amigos. Perguntei para Clara de sua filha. Ela disse que era mais madura do que ela mesma, que estava prestando vestibular para Engenharia dos Alimentos, porque achava que era uma área muito importante. Falamos do seu ex marido. Contou que Juliana – sua filha, puxou muito a ele, porque era decidida, sabia o que queria da vida e que sentiu muito a separação e a ida do pai para o Mato Grosso. Ele é biólogo e montou uma ONG ambiental. A conversa estava tão agradável que, quando me dei conta, Clara estava embicando o carro na garagem da sua casa. Descarregamos as bagagens e mantimentos. Clara me mostrou a casa. A sua delicadeza estava em cada detalhe. Havia uma edícula e, como sabia que eu precisava ficar um pouco sozinha, tinha pensado de eu ficar nela. Concordei. Fizemos algo pra comer, conversamos um pouco e fomos dormir. No dia seguinte, após o café da manhã, enquanto as crianças ficaram na piscina, fui com Clara comprar algumas coisas para o aniversário da Juliana, que seria comemorado no sábado. No decorrer do dia conversamos muito sobre a separação de Clara, brinquei na piscina com os meninos. A noite caiu. As crianças estavam jogando vídeo-game, Clara foi tomar banho e eu fiquei a beira da piscina olhando o céu, talvez tentando contar as estrelas, quando senti alguém me olhando. Abri os olhos e uma menina me fitava. Cabelos castanhos claros, olhos de cor duvidosa que brilhavam feito as estrelas. Disse meu nome, que havia visto minhas fotos. Deduzi que era a Juliana. Ela disse: “você é mais interessante ainda pessoalmente”. Quando estava procurando palavras para responder, suas amigas se aproximaram junto com a Clara que veio com um balde cheio de cerveja e gelo. Juliana me olhou firmemente nos olhos e sorriu. Enquanto Clara me apresentava todas, Juliana saiu sorrateiramente para guardar suas coisas. Passamos a madrugada conversando, quando iam sair para dormir, Juliana mergulhou na piscina fazendo graça com a mãe e as amigas. Nadou até a borda onde eu estava, fitou-me nos olhos, saiu da piscina se chacoalhando para me molhar. Por frações de segundo viajei, mas imediatamente bani qualquer pensamento, quer dizer, ao menos tentei. Todos entraram e eu fui para a edícula. Deitei em minha cama e aqueles olhos não saiam da minha mente... adormeci. No dia seguinte fomos todos passear. Passamos o dia fora. Quando voltamos, enquanto todos ficaram na piscina, ajudei Clara com os preparativos para o aniversário de Juliana. Rimos muito, brincamos e, quando Juliana cortou o bolo, olhou-me nos meus olhos entregando o primeiro pedaço dizendo: “18 anos”. Fiquei tão sem ação que quase derrubei o bolo. Evitei olhar para Clara o resto da noite. Fui dormir mais cedo que todos. Pela manhã, íamos todos para Ilha Bela quando Juliana disse que estava passando mal. Pedro protestou assim como todos. Disse para a Clara levá-los que ficaria para cuidar de Juliana. Clara se aproximou de mim e disse no meu ouvido: “eu te disse que ela sabe exatamente o que quer. Se solte, você tirará uma dúvida minha e dou todo meu apoio”. Quando todos saíram mergulhei na piscina como quem procura clarear a mente. Em seguida senti-a mergulhando. Virei-me em sua direção. Ela veio nadando até mim. E antes que eu pudesse ter qualquer reação, subiu pelo meu corpo colando seus lábios nos meus. A sua respiração estava tão forte que não consegui resisti em lhe beijar. Nossos corpos se misturaram na água e quando estávamos tirando o pouco de roupa que tínhamos, escutamos Clara buzinando e gritando que estavam de volta. Juliana correu para dentro da casa. Meu coração batia tão forte que fiquei sem saber, por segundos, o que fazer, quando senti as crianças pulando na água. Clara se aproximou da piscina dizendo que o trânsito estava terrível e que as crianças reclamaram do calo e que queriam voltar. Olhou para o chão e, quando viu pegadas molhas, com olhar se desculpando, disse que final de semana é terrível para ir pra Ilha Bela por causa do trânsito. Juliana apareceu com suas amigas dizendo que estava melhor. Mergulhou bem próxima de mim, roçando sua perna na minha. Mais um dia de brincadeiras; seus olhos me fitando, meus olhos acompanhando seus movimentos. A noite caiu. Eu de um lado da piscina e ela do outro. Ambas com as pernas n’água brincando de fazer ondas. Às vezes nossos olhos se cruzavam e parecia que todos ao nosso redor sumiam, como por magia. Num desses momentos ouvi Clara chamando todos para dormir. Juliana levantou-se, olhou nos meus olhos e sorriu. Senti a mão de Clara nos meus ombros. Quando o silêncio se fez, levantei-me e fui para a edícula. Quando fui trancar a porta, lembrei dos seus olhos. Deixei destrancada. Despi-me. Caminhei até a cama. Olhei pela janela....começou a chover...alguns relâmpagos. Desisti da ilusão dela aparecer. Afastei o lençol; me deitei, me cobri. Quando fechei os olhos senti um leve frio pela coberta erguida, seu corpo molhado encostando-se no meu. Virei-me ao seu encontro. Sua respiração na minha. Ela disse: “desculpe, estou te molhando?”. Respondi: “desde o primeiro momento que a vi”. Ela sorriu, se virou subindo sobre mim e afastando meus braços para trás, disse: “não sabe o quanto desejei esse momento desde que vi sua foto”. Antes que pudesse responder me calou com seu beijo. Ela me molhou por inteiro com seu corpo e, quando a toquei, percebi que ela estava mais molhada do que eu poderia supor conseguir. Seu gemido quando a toquei se misturou ao meu, ao sentir seus dedos escorregando em mim. Seus lábios desceramm pelo meu corpo; senti o calor de sua língua brincando no meu ventre...quase perdi os sentidos pelo prazer de sentir sua língua em mim; senti-me menina diante de uma mulher. Ergui-me, levantando-a até a altura de meus lábios. Sentadas, frente a frente, pernas entrelaçadas. Olhos nos olhos, eu nela, ela em mim. Línguas que brincaram feito crianças. Gemidos rompidos com dois leves gritos sufocados. Acordei abraçada, com um toque na porta. Não consigui abrir os olhos, mas a vi levantar-se em direção a porta. Voltou. Abri os olhos, ao senti-la sentada sobre mim; passou a mão no meu rosto e beijou-me a testa, depois a boca, enquanto afastava o lençol que nos separava. Debruçou-se sobre mim e sussurrou no meu ouvido que era sua mãe avisando que iria levar todos para Ilha Bela para nós ficarmos a vontade. Sorriu de forma marota, deslizando seu corpo sobre o meu; olhou-me nos olhos, mordeu levemente seus lábios; sorriu novamente... simplesmente tatuando seu corpo sobre o meu ao sol de São Sebastião.

 

DRICA GENTILE

 



© Todos os direitos reservados ao OUZAR®