

SO MANY TIMES
Quando se sai pra balada tudo pode acontecer. Tudo quanto é tipo de pessoas e atitudes. Como sempre sai para dançar e dancei muito. Lá pelas 4 h, já meio bebinha e cansada, sentei em uma das cadeiras da boate, nitidamente demonstrando que estava querendo ir embora quando, de repente, ela veio com tudo e sentou no meu colo dançando. Quando a reconheci desacreditei e todo cansaço e bebida se perdeu fazendo-me levantar. Mas ela se foi. Continuei dançando e, ao tocar “so many time” , senti alguém chegar por trás...ela disse: “clama, sou eu”. Dançamos e a madrugada foi indo cada vez mais para o dia. Hora de ir embora, arrumar carona. Quando me dei conta estava pegando carona com uma amiga em comum. Entrei no banco de trás do carro e ai ela entrou atrás. Lucia, a dona do carro, brincando, disse: só tem lugar pra você se for no colo dela. Imediatamente ela foi pra meu colo, mas virada pra mim; parou, abaixou o corpo e quando nos olhos se cruzaram...nos beijamos de uma forma que nossos corpos pareciam entrar em choque. Não sei qual foi a intensidade da coisa, só lembro de Lucia pedindo para nos baixarmos para não fazermos show para os demais carros. Suavemente deite o corpo dela no banco junto com o meu...situação estranha que algo no fez parar e apenas brincar com nossos lábios, ao mesmo tempo que roçávamos nossos corpos. Nos beijávamos e sorriamos como quem joga sabendo qual será o resultado. Chegando na porta da minha casa; parei, fitei-a nos olhos...levantou seu corpo ao mesmo tempo que o meu avisando que iria ficar. Nos despedimos, agradecemos; de mãos dadas entramos em casa. Quando íamos nos beijar, ouvimos a voz de minha amiga pedindo pra quando subisse levar água pra ela. Balancei a cabeça, rimos em silêncio. Fui até a cozinha peguei a água, voltei...indescritível o olhar com o qual cruzei. Subimos a escada como quem sobe um novo obstáculo que está prestes a ser superado. Ela parou no fim da escada enquanto eu entrava no quarto da minha amiga para lhe dar a água. Voltei..encontrei um sorriso num misto de criança-mulher, que me fez sorrir sem graça, fazendo-me chegar vagarosamente nos seus lábios. Fomos para meu quarto e, quando estava fechando a porta, ela pediu para colocar para toca “so many times”:
you go out every night
tryin' to find the perfect love
you´ve lost the faith in yourself
you´re falling out in loneliness
the world is full of magic can´t you see?
i´m your guardian angel, trust in me
so many times i´ve been watchin´you
and now i fell in love with youSo many times
I've been watching you
and now i fell
in love with you
so many times
so many times...
Quando a música começa a tocar sinto ela chegando por trás de mim, encostando seu corpo; suas mãos me contornando me fazendo dançar em seu ritmo. Enquanto a música toca, corpos grudados, vagarosamente deixando nossos corpos se perderem de nossas roupas; cada parte do corpo se desvelando, como que se um pudesse se revelar lentamente o outro. Ah, e como isso foi possível. Ainda sinto teu corpo se desvelando no meu, como se fosse um ritual de encontro de corpos, de duas almas que, até então, brincavam feito crianças.
Não sei exatamente como foi, mas quando me dei conta estávamos sobre minha cama completamente nuas. Seus lábios escorregando pelo meu corpo; minhas mãos percorrendo seu corpo. A ferocidade que parecia se conter no carro, transformou-se numa delicadeza que tornou os minutos que sucederam num prazer que me fez gritar silenciosamente ao sentir em minhas mãos seu desejo, ao mesmo tempo que ela mergulhava na minha vontade.Drica Gentile
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