
UMA NOITE, UMA PRAÇA
Não tinha entendido porque ela tinha pedido para encontrá-la do outro lado da rua do bar. Tínhamos trocado apenas poucos olhares. Estava acompanhada e não insisti. Não sei o porque, mas obedeci e fui para o outro lado da rua. Fiquei conversando com o manobrista. De repente ela chegou, me pegou pela mão me arrastando para longe de onde estava. Não sabia o que estava querendo. Ela olhava para um lado, olhava para o outro. Parou em frente ao Fórum, olhou para os lados e me puxou de novo. Entramos numa rua e ela me puxou para a garagem de uma loja que estava sem luz. Até compreendia o que estava fazendo, mas não conseguia acreditar. Tão jovem, tão linda, não era possível que estava fazendo isso. Não que eu não merecesse, mas parecia loucura demais. Colocou-me contra a parede, respiração ofegante, olhos nos meus olhos e suavemente tocou meus lábios com os seus. Afastou-se um pouco e disse que sabia que ia me encontrar. Nessa confusão toda, perdi completamente a direção do meu corpo, o controle da minha razão e a trouxe junto ao meu corpo, cheirando, beijando o seu pescoço, como uma vampira prestes a saciar-se. A sua pele macia, quase que de bebê roçando o meu corpo; sua língua invadindo minha orelha; suas pernas se enroscando nas minhas...Minha mãos percorriam seu corpo, numa mistura de suavidade e fúria pela sede que estava me despertando. Um farol de carro de repente iluminou rapidamente a garagem. Olhamo-nos nos olhos, a chamei de maluca. Olhos verdes, misturado com mel. Cabelos negros, longos, pele bronzeada, rosto de menina, corpo de mulher. Olhei para os lados e a levei para baixo da escada. Ela tirou sua blusa, abriu minha camisa. Nossos corpos se tocaram semi nus, aumentando a vontade, rompendo com qualquer fio de razão que poderia ter sobrado. Tiramos toda a nossa roupa e debaixo daquela escada, nada havia que pudesse reverter o que estava acontecendo. Gozamos feito duas enlouquecidas sem conseguir afastar os corpos. Ela afastou-se, olhou nos meus olhos e disse: você é linda. Colocamos nossas roupas e fomos caminhando lentamente de volta para o bar. Quase perto, ela parou, nos beijamos e foi caminhando na minha frente. Entrei no bar, voltei para a minha mesa. Olhei furtivamente em sua direção. Ela olhou, levou sua mão até seu rosto, colocando um de seus dedos dentro de sua boca. Sorri, meio assim sem jeito, completamente saciada pelo gosto dessa menina.
DRICA GENTILE
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