
O ESPINHO
Mas,
por que me tocou a tua mão
Sabedora que é do meu trabalho?
Um apêndice, sou, junto do galho
De vigiar a flor, tenho a missão;
Cuido
dela desde tenro botão
Protegê-la, enfim, dar-lhe agasalho
É o prazer que tenho; e se eu falho
Pode ser que lhe roubem o coração;
Peço,
então, que compreenda meu ofício,
Não queria impor-lhe sacrifício
Nem fazer tua alma, assim, sangrar
Mas
espinho é espinho, e flor é flor:
Uma te dá ternura, o outro dor,
Cada qual com seu jeito de amar.
ANA MARIA
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