
DE MÃOS ATADAS
Das
mãos que correm sobre as teclas
Deságuam fortunas de delícias
Que são cachoeiras indevassáveis.
O que elas podem fazer se você quiser?
Das
mãos que carregam pedras
Fluem bolhas d’água
Onde bebo do trabalho para viver.
O que elas podem fazer se você quiser?
Das
mãos que produzem o texto
Surge uma chama que espera o mar
E nado em busca do meu espírito.
O que elas podem escrever se você me ler?
Destas
mãos que não te alcançam
Transpiram gotas suadas e orvalhadas
Num desejo que satisfaz a sede.
O que elas me deixariam viver se você as quiser?
Das
tuas mãos que nunca me sentiram
Brotam a esperança entre a fumaça do fino cigarro
E a elegância dos teus dedos.
O que elas fariam se me tocassem?
NIVIA MARIA
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