BANHO SEM NADA

Caminho sobre trilhas da floresta num rumo

Com as árvores grandes e cortinas de cipós

O árduo verde revira meu coração sem nada

E nada é a fome que tenho...

Minha boca se cala e o pouco de vento és tu

Sem rosto sem cheiro tão longe sem ver.

Eu escrevo com o sangue de fora de eu

Como hematomas que me tomam os olhos

Coisas de beijos que nunca recebi

Porque tua boca disse não sem me ver ..

Trovoadas dentro de mim

Silenciam como tambor de surdos na noite

Lua daqui e dali, lua que já vi em ti cheia

Nada de luz sobre a areia.

Os seios deram cor e volume à alvorada

Cantar só dos pássaros sobre o teu colo

E derretida mesmo Só as águas

E o teu banho em mim sem nada.

 

 

NIVIA MARIA

 

 

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