
FLORES VERMELHAS
Carrego-te no peito e nas palavras que leio
Carrego-te pruma casa de liberdade
Vou-me contigo pro lugar de onde não saímos
E assim voltamos ao unir de vidas antigas.
Todo o ar sinistro de antes dissipou-se
Depositou-se a flor lilás e amarela do meu
Peito. Mas as vermelhas ainda rasgam o asfalto
E cobrem de folhas verdes e espinhos
As paredes dos prédios cinzentos.
Mostro para ti meu corpo vegetal
Arranco minhas batatas alucinógenas
E te dou para comer-me.
Viajaremos juntas
Comendo da minha carne verde.
E eu com minhas flores vermelhas
Invadirei teu quarto para florir-te
Mas antes, lanço sobre todas as camas
Das casas no bairro onde moras
Na cidade onde nascestes
Flores do campo e rosas vermelhas
Para que todos saibam
Que eu te amo.
NIVIA MARIA
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