AQUELA QUE CAMINHA

Ainda me alimento de lembranças
Dos passos iniciais de uma breve jornada
Quando a imensa mata erguida adiante
Somava-se ao infinito.

As palavras soavam como tua voz
Maleáveis e doces como o Tapajós
E eu nevando sobre as folhas secas
Das trilhas onde eu sumia.

Agora o adeus se apossou
No vazio do olhar
Que não tem a tua forma
De fogo sem chamas.

Que surpresa tu semeastes
De flores e frutos
Que me alimentastes
Com o sal das lágrimas de agora.

O rio salgou como o mar
Tuas curvas macias
E peixes ornam outras faces
E em mim a saudade.

 

 

NIVIA MARIA

 

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