
O POETA
Reparei
na roseira hoje cedinho
E beijei a mais bela e fina rosa
Que se abrira bem ancha e toda prosa
Perfumando, de amores, meu caminho;
Perto
dela, porém, ali juntinho
Daquela aparição miraculosa
Uma garra afiada e tão raivosa
Sanguentou-me a mão - maldito espinho!
Pois
é da natureza da roseira
Carregar, de um lado, a flor que cheira
E, do outro, espinhos sanguinários
Assim como é da sorte dos poetas
Serem presas de almas inquietas
Desgraçados de dor e solitários.
ANA MARIA
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