PARA QUE SERVE E A QUEM INTERESSA AS PARADAS GLBT?

 

 

A Parada de São Paulo é a maior Parada do mundo e o evento que mais dá lucro para o turismo de São Paulo.

Outro dia fui questionada pela minha mãe sobre a Parada. Ela queria saber para que ela serve. Visibilidade, respondi. Sim, a Parada serve para celebrar o orgulho se assumir, de ser você mesma e mostrar que somos muitos. Somos cidadãos, pagamos nossos impostos e, mais ainda, somos consumidores. Enquanto cidadãos, é preciso que os legisladores ampliem a questão da união civil, ou seja, deixe de restringir essa a casais constituídos por um homem e uma mulher. Como estabelece o Novo Código Civil no seu artigo Art. 1.514: “O casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados”.

Casal são duas pessoas, dois cidadãos independentemente de seu gênero sexual que resolvem compartilhar a sua vida e como tal, essa união deve ser reconhecida legalmente.

Quanto a questão de sermos consumidores, nos últimos anos temos presenciado um verdadeiro despertar das empresas para tal fato, por exemplo, a Rede Globo de televisão passou a inserir em suas novelas personagens com orientação homossexual, empresas passaram a veicular comerciais direcionados para homossexuais... etc.

Ora, ao olhar para a história da humanidade, verifica-se que as mudanças na sociedade são motivadas pelo poder econômico. Óbvio que o preconceito não acaba, pois sempre existirão pessoas que preferem viver numa cerca do que ampliar seus horizontes de conhecimento e respeito para com os outros. Mas o fato, é que quando a coisa é vista pelo “bolso”, muda-se muita coisa.

Voltando a Parada, tenho ouvido muitos falarem que virou palanque de políticos, outros que virou comercial. Com relação a questão comercial, como comentei anteriormente, é a parte econômica que gera mudanças, daí ser fundamental que aproveitemos esse “despertar” das empresas, no intuito de fomentar discussões, desenvolver ações que contribuam para o esclarecimento da sociedade sobre quem somos. A homossexualidade faz parte da diversidade humana, e dentro da homossexualidade, inevitavelmente, existe diversidade também. Mas o que a sociedade vê pela mídia, é apenas parte dessa diversidade, ou seja, as mulheres masculinizadas – satirizadas como paraíba, mulher macho, e os homens afeminados – satirizados como bichas. E isso está no âmbito dos programas humorístico, cuja “criatividade” limita-se a banalizar coisas como a violência, o preconceito, o desrespeito para com o outro. Num aspecto mais abrangente, a visibilidade, enquanto consumidores está proporcionando outras facetas da diversidade homossexual. Nesse sentido, é gratificante ver a empatia crescente nos discursos de senhoras e senhores assíduos telespectadores de novelas comentarem que bom que o pai de fulana deu o apartamento para elas morarem ou que bom que ela conseguiu adotar a criança.

Quanto ao aspecto de “palanque político”, ora é aí que entramos como eleitoras, cidadãs responsáveis. Temos que verificar o que aquele indivíduo fez, tem feito ou irá fazer pelos nossos direitos enquanto cidadãs. E não é acompanhar pelos jornais não. É deputado, é vereador, tem que entrar sim na Assembléia e na Câmara para ver os projetos apresentados pelo indivíduo e verificar como ele andou votando em outros projetos.

Por fim, as Paradas GLBT servem e interessam para cada um de nós, e cada um de nós devemos participar, criticar, exigir, fazer...para que nosso direito como cidadãs seja respeitado inclusive pelos indivíduos eleitos que se tornaram legisladores.

E enfatizo: dentro de um Senado, dentro de uma Câmara de Deputados, dentro de uma Assembléia de Vereadores, não cabem crenças, cabe respeito a cidadania.


Drica Gentile

 

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