FAZER SEXO X FAZER AMOR

 

 

Vamos tomar duas situações do seriado norte-americano The L Word:

1) Tina (personagem que foi traída pela mulher com quem era casada e se separou da mesma por causa disso); cena: ela está excitada, tenta se masturbar mas não consegue – ainda ama a Bette (sua ex);

2) Shane: não se envolve com ninguém. Conhece, beija e transa.

Coloquei essa questão no Grupo de discussão do Ouzar e a maioria colocou a preferência por fazer amor e não o sexo pelo sexo.
Claro que a personagem Shane, assim como muitas mulheres, tem medo de se entregar à um relacionamento. Sou até obrigada a confessar que já passei por isso, ou seja, tive receio de me entregar à um novo relacionamento após o fracasso de um outro.
A Tina, envolvida ainda sentimentalmente com sua ex, nem ao menos consegue se masturbar embora estivesse com tesão.
Claro que sexo por sexo, é apenas sexo; algo passageiro; você se atrai por alguém, transa e goza. Pronto, acabou.
Agora, quando há sentimento, quando você ama alguém, o sexo é complemento necessário que é feito com muito mais intensidade e prazer. O gozo é adiado, pelo prazer do toque, do ser tocada, dos olhos nos olhos...há sentimento que envolve o desejo.
Mas uma coisa é preciso ter ciência: ao contrário do que culturalmente temos, ou seja, que o homem é que precisa de sexo, a mulher também precisa. É uma necessidade biológica. E quando se está sozinha essa necessidade não é minimizada e muito menos acaba. Aí que é momento de se permitir a fazer o sexo pelo sexo. Não com qualquer uma, porque vai ser um caos, mas com alguém que dê química.
Mesmo a Shane do seriado não vai com qualquer uma. Ela vai com quem dá essa química que ninguém explica, nenhuma ciência, nenhum mágico. É tesão puro. É a libido a flor da pele. É aí que temos que nos permitir, que temos que ter consciência de que precisamos de sexo sim.
Volto a afirmar o que disse antes: enquanto o homem fica com o pênis ereto, a mulher fica molhada.
Temos tesão, temos desejo, temos vontade, temos necessidade.
Antes de sermos mulheres, somos fêmeas e ficamos no cio sim.

Seja como for, claro que nada substitui o fazer amor, como disse Luiz Fernando Veríssimo:

DAR NÃO É FAZER AMOR

Dar não é fazer amor.
Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar....
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque a pessoa te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para essa pessoa hoje, vai dar amanhã, ou depois de
amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar
ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te
abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o
primeiro abraço de Ano
Novo e pra falar: "Que que cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você
flutuar
Experimente ser amada...

"A vida é a arte de tirar conclusões suficientes de dados insuficientes".

 

Drica Gentile

 


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