INCAPACIDADE DE SE SUSTENTAR SÓ

 

 

Em outra reflexão falei sobre pessoas que precisam de muletas para se separarem de outras pessoas, ou por outro motivo qualquer. Fiquei sabendo de um história que aconteceu com uma amiga minha, que fez com que eu resolvesse voltar ao assunto das pessoas que não se sustentam sozinhas.

Em essência, nós seres humanos somos sozinhos; nascemos, vivemos e morremos sós. No entanto, somos também animais que precisam de cuidado por muito mais tempo após o nascimento, pois somo incapazes de nos alimentar, de sobreviver sozinhos. Essa fragilidade que dura em média de 6 a 8 anos, em alguns casos parece continuar em algumas pessoas. Nesses casos, as pessoas simplesmente não conseguem suportar a sua solidão, jamais deixando alguém sem antes ter encontrado outra.

Claro que precisamos, mesmo tendo ciência de sermos sós, de outra pessoa. Precisamos dos outros para que nossas obras, nossos gestos adquiram sentido. Afinal, qual o sentido teria de, por exemplo, acenar para o nada? O problema é quando a pessoa não consegue se sustentar só e acaba usando o outro como se fosse um galho de árvore; aí ela pula de um galho para o outro e, obviamente, acaba deixando sua marca nas pessoas uma vez que, mesmo que inconscientemente, as machuca afetivamente.

Que se faça isso uma vez, pode ser até compreensível, mas tornar tal atitude uma constante em sua vida é no mínimo preocupante, uma vez que a pessoa mostra-se socialmente sem caráter por desrespeitar o outro, pensando apenas em si mesma.
É preciso ter consciência que quando nos relacionamos com alguém temos certas responsabilidades no que se refere a ter respeito pelo outro. Pouco tem a ver com a frase do Pequeno Príncipe: “tu te tornas eternamente responsável por quem cativas”. Ninguém é responsável por ninguém. A colocação refere-se ao respeito para com o outro, algo como aquele ditado que diz: “não faça com os outros o que não quer que façam com você”. A desculpa de que simplesmente aconteceu é minimalista demais, ou no mínimo mostra a futilidade diante das relações afetivas. Além disso, nos casos que tenho conhecimento, aquela que não se sustenta só, antes de terminar a relação, já vinha literalmente caçando outra pessoa. E quando termina vem com o discurso (impressionante como o discurso se repete) que só rolou algo com a outra depois que terminou o seu relacionamento anterior. Com isso se exime de qualquer comentário que a julgue como tendo sido canalha. Ora, quando você começa olhar para os lados é porque aquela que está ao seu lado já não lhe satisfaz mais. Nesse caso, a atitude de respeito, uma pessoa de caráter terminaria a relação.

Com tudo isso, fica uma questão filosófica:

Por que algumas pessoas não conseguem se sustentar sozinhas?

Pensar sobre isso pode evitar que pessoas escrevam poesias como essa que transcrevo abaixo:

"Brinquedo"

Empalhe seus sentimentos e exponha na vitrine das mentiras,
cobre pela visitação publica ao que se tornou extinto.
Não venha dizer que eu faltei a aula da vergonha
nem que sou de gelo e não sinto.
Se converte em podridão tudo o que você toca.
Como um toque de Midas invertido, em plena fortuna falida,
você não sabe o que faz nem o que fez
em todo o saco de vômito que é tua vida.
Despeje sua ira em quem não sabe o que é ódio
e ensine o que é a traição para que alguém deixe de ser inocente.
Estupre a beleza da ignorância com sua falsidade
desvirginando com a cobra da tua maldade tudo aquilo que sempre foi decente.
Você não vale nada! e ainda é muito para você valer,
pois o nada é maior do que você jamais poderá ser.
Saia para caçar, se entregue de mentira a quem acha que você vale alguma coisa,
mas saiba que no final da história ninguém vai ter nada de bom pra falar de você.
As pessoas descobrem tarde demais que se deixam enganar muito cedo,
pois a sede de querer e de ser amado transforma o que de melhor é dado em brinquedo.
(Dylan)

 

 

Drica Gentile

 


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