

Nos últimos anos o tema “homossexualidade” saiu dos guetos, invadindo ruas, jornais, televisão, cinema, teatro, todas as formas de comunicação humana. A homossexualidade escancara o armário mostrando à parte da sociedade preconceituosa que milhões de pessoas possuem orientação homo, que são cidadãos com direitos e deveres e mais, para um mundo capitalista, que são excelentes consumidores.
Apesar de avançar em passos lentos, no que diz respeito aos direitos civis, uma coisa é certa: as cartas foram lançadas e a parte hipócrita da sociedade será obrigada a rever seus conceitos pré-estabelecidos.
No meio deste movimento gigantesco, no entanto, ainda existem muitas pessoas que encontram dificuldade de sair do armário, de assumir a sua homossexualidade.
Costumo dizer que antes de ter a coragem de se assumir homossexual para a sociedade, principalmente para a família, tem-se que primeiro se assumir, ou seja, romper com seus próprios pré-conceitos, pois, querendo ou não, crescemos ouvindo uma série de valores, de crenças, de conceitos, os quais acabam sendo assimilados e ressignificá-los para que possamos gerar mudanças na nossa forma de pensar, é um processo cujo o grau de dificuldade encontra-se na dependência de nossa própria personalidade.
O mais irônico, que é muito comum, as pessoas do nosso circulo social perceberem até antes de nós mesmos a homossexualidade. É alguma coisa no gesto, no olhar, na forma de se estar no mundo que desvela uma orientação sexual diferente do que a sociedade espera.
Quando se assume finalmente a homossexualidade, olhando para trás se percebe indícios de que lá estava ela há muito tempo.
Assumir a homossexualidade requer coragem. Apesar de já ter ouvido que ser homossexual virou moda, na realidade as pessoas passaram a sentir mais a vontade para experenciar o mesmo sexo. Acredito que, principalmente na adolescência, isso não passe de mais uma experiência excitante. No entanto, é justamente na adolescência que é definida a orientação sexual. Por isso não vejo nenhum problema nessas experiências, desde que a pessoa saiba lidar com a situação.
Ninguém se torna homossexual, bem como a homossexualidade não é uma doença, e muito menos uma doença contagiosa.
Claro que costumo brincar dizendo que a mulher que experimenta relacionar-se sexualmente com outra, vai viciar. Mas, brincadeiras a parte, a homossexualidade vai além da relação sexual, por isso até prefiro utilizar o termo da Desembargadora Maria Berenice – homoafetividade. Ato sexual, o desejo sexual vai apenas diferenciar de quem somos amigas daquela que amamos como mulher. E isso é inclusive nas relações heterossexuais, porque a única diferença que existe entre uma relação homossexual e heterossexual, é o sexo (gênero masculino e feminino) do parceiro. No demais, os processos são os mesmos, tanto com relação a libido, quanto aos sentimentos envolvidos.
Seja como for, amor é amor, e qualquer forma de amar vale a pena.
Drica Gentile
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