

Resolvi refletir sobre a tristeza por causa de um momento vivenciado, quando reconheci um rapaz (digo reconheci porque já o conhecia e, de alguma forma, sempre tive uma empatia muito forte por ele). Um homem bonito, charmoso, usuário de droga, trabalha feito um doido e tem um olhar profundamente triste.
Quando estamos felizes é muito fácil encontrar pessoas que compartilham nossa felicidade, assim como pessoas que são infelizes e minam literalmente a nossa felicidade. Costumo chamar essas pessoas de vampiros de alma.
O difícil é encontrar pessoas nos momentos em que você está triste e elas se tornam empáticas. Simplesmente ficam ao seu lado do jeito que acham que você precisa. Porque quando se está infeliz, também surgem os conselheiros de plantão, que nos seus blablablas, nada ajudam. Frases de efeito, retiradas de livros de auto-ajuda.
Por isso digo que compartilhar a tristeza do outro é uma arte. Não é para quem quer, é para quem pode.
E uma cidade, por exemplo, como São Paulo, ironicamente vagam pelas noites pessoas em busca de um “oi”. Simplesmente um “oi”. Porque, embora o ser humano seja essencialmente sozinho, ele precisa do outro para lhe dar sentido, para dar sentido a sua existência.
Mesmo pela Internet encontra-se uma infinidade de indício da solidão. Blogs, web sites, lotados de palavras escritas por pessoas que se sentem só. Nas salas de bate-papo há muita, muita gente sozinha, carente na busca de alguém que acabe com a sua solidão. Pessoas que, muitas vezes, perdidas em sua solidão, usam de artifícios de mentiras para serem o que não são simplesmente para que alguém lhe dê atenção. E a Internet possibilita isso, porque você pode fantasiar o que quiser. Ai encontramos em qualquer horário um número significativo de pessoas conectadas nas salas de bate-papo. E o mais triste, é que nessas salas também existem os vampiros de alma, aquelas pessoas caçando almas tristes, carentes de um toque, de uma palavra.
O outro, tão próximo, tão distante.
Somos carentes por natureza e o difícil está, justamente, em admitir isso.
Talvez se tivéssemos coragem de admitir a nossa carência, conseguíssemos ao menos ser congruentes com o nosso sentir. Talvez pudéssemos adquirir a capacidade de olhar o outro com os olhos dele, para que ele possa, também, nos olhar com os nossos olhos e ai, quem sabe, aprendêssemos a compartilhar a tristeza do outro, tornando o mundo um lugar mais humano, porque a vida não é feita só de felicidade. A vida é feita de momentos tristes e de momentos alegres.Quem sabe um dia não surja mais a vontade de abrir os braços e gritar, simplesmente gritar para que alguém olhe em nossa direção.
Drica Gentile
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