

Não sei se alguém já chegou a fazer algum estudo sobre isso, mas quando se conversa com as pessoas, chega-se a conclusão que nós, seres humanos, somos carentes, no sentido de que precisamos do outro, para dar algum tipo de sentido à nossa vida, às coisas que fazemos.
O mais interessante que, mesmo numa cidade lotada de gente como São Paulo, há muita gente sozinha. Você percebe isso pelo número de pessoas que entram nas salas de bate-papo da Internet, no sucesso desses sites de encontros, e até mesmo quando se sai pela noite da cidade.
As pessoas estão literalmente caçando outra.
Estar só dá uma sensação de vazio, de falta de sentido.
Mas encontrar alguém parece ser difícil, porque acabamos, muitas vezes, idealizando a pessoa que queremos.
Quando encontramos e nos apaixonamos, esse vazio é preenchido de tal forma, que ficamos feito bobas. Os olhos brilham, tudo parece maravilhoso.
Outro dia estava conversando com uma amiga sobre estar apaixonada. O quanto esse é o melhor período de uma relação. A gente quer ficar o tempo todo com a pessoa, adquirimos uma voracidade quase que impossível de ser controlada. Acho que chega até ser a fase em a atividade sexual é mais intensa. Como disse uma outra amiga, é como se você precisasse tocar, agarrar, sentir a pessoa o tempo todo. Talvez seja para sentir que ela é real, tamanha a felicidade que ficamos quando estamos apaixonadas.
O corpo fica mole, a mente fica vagando, a pessoa não sai da mente. É como se ficássemos em êxtase.
Mas o tempo vai passando e muitas vezes deixamos a relação cair na rotina. E esse parecer ser o grande erro. É preciso encontrar formas, se policiar para resgatar de tempos em tempos essa paixão. Criar coisas novas, dar do nada, por exemplo, um presente, como uma flor, um bichinho etc.
Se o encontro é difícil, a separação é intolerável. A sensação de vazio retorna, e o pior é que o nosso corpo continua impregnado pelo toque, com o cheiro da pessoa. Aí se enlouquece em pensar que ela pode estar com outra pessoa. Como diz uma música que a Fernanda Porto canta: “se alguém tocar teu corpo como eu, não diga nada”.
Na perda da pessoa, quando ainda a ama, tudo quanto é lugar que se está, que se vai, tem sempre algo que a lembra. Dá a sensação que o mundo está conspirando contra você, porque sempre vai se tropeçar em algo que te faz lembrar da pessoa. Por mais que se queira vê-la, surge o medo de encontrá-la, porque há o risco de vê-la com outra.
A dor vem, dor que deixa o peito amortecido, a respiração parece que irá parar. Você tenta se convencer que vai passar logo, mas esse logo parece tempo demais.
O humor oscila. Passa-se a falar mal da pessoa, enfarizando pontos negativo. Busca-se desesperadamente se convencer que é melhor se separar mesmo. Aí de repente as lágrimas escapam dos olhos. Choro sentido, que sufoca o peito. Depois se resolve sair para tentar, quem sabe, encontrar alguém para colocar um curativo nessa ferida que parece que não vai cicatrizar. Precisa-se elevar a auto-estima, se convencer que você não é um lixo.
Entre encontros e despedidas, as pessoas vão passando, nos alegrando, nos magoando, nos marcando. Por mais que pensemos em nunca mais nos relacionar com alguém, no fundo a gente sabe que precisamos desesperadamente do outro. Se ao menos conseguíssemos nos relacionar com alguém sem nos envolver tanto...
Como disse Caio Fernando de Abreu, no seu livro “Morangos Mofados”:
“Seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem esperar nada em troca. Mas as pessoas, nós, têm, temos, emoções”.Para a cura de perda de um grande amor, não há remédio, a não ser deixar o tempo passar. E isso dói, ah como dói.
Drica Gentile
© Todos os direitos reservados ao OUZAR®