VOCÊ ESTÁ APAIXONADA?

 

 

Fizeram-me, num mesmo dia, a mesma pergunta várias vezes: você está apaixonada?
Não respondi, mudei de assunto.
A vida nos prega umas peças que só estando como estou hoje se é capaz de entender.
É isso ai... inevitavelmente me apaixonei sim, mas, como a vida resolveu me ensinar umas coisas meio malucas, como por exemplo, transformar a paixão, com todo o seu potencial de construção e energia, num pequeno embrulho imaginário e presenteá-lo com toda a intensidade pra esse alvo da paixão como se fosse o néctar da vida, ando pelas ruas sorrindo por ser capaz de fazer isso.
Fácil? Claro que não.
Mas uma situação vivenciada que me faz pensar o que é estar apaixonada, o que é amar alguém? Faz-me pensar o limite entre amizade e amor (amor no sentido do envolvimento afetivo mais complexo que envolve desejo).
E ai você se controla para que não seja confundida com mais uma que assedia simplesmente porque você é diferente das que se colocam. Você não sai agarrando, não sai beijando só porque isso vai massagear seu ego ou algo parecido. Ai você simplesmente é ingressada na vida dela como a maré e se toca que é preciso seguir o ritmo dela, mesmo sabendo que terá que ressignificar o que sente e, o mais importante, tua atenção está tendo uma utilidade muito maior do que se você se deixasse levar pela paixão, porque o amor se faz presente de uma forma maior, mais significativa.
Claro que tudo isso, pra quem lê (até eu mesma diria), soa como: fala sério vai.
A sociedade, os amigos, nós nos cobramos tanto ter alguém que acabemos perdendo o sentido do que é amar uma pessoa. Perdemos até o sentido do que nos amar. E ai fica essa coisa de que se você faz algo por outra pessoa sem esperar absolutamente nada em troca, pareça um absurdo, uma grande piada.
Parece que o amor foi, de certa forma, banalizado, assim como outras coisas. Talvez por isso hoje existam mais desencontros do que encontros.
As pessoas estão doidas, alucinadas atrás de um “amor”, de uma outra pessoa, namorada etc., e ai esquecem o que é realmente amar alguém, o que é compartilhar um sentimento, uma vida.
A única coisa que se permitem é deixar a carência tomar conta e ai saem beijando todo mundo, ficando etc. Mas, pelo menos as pessoas do meu circulo social mais próximo, continuam num baita vazio.
Claro que às vezes paro, penso, e acho que to errada. Mas, de alguma forma, sinto que esse é o caminho certo ao menos para mim.
Já me deixei levar pela paixão e permiti, perdoei algo que jamais deveria ter perdoado e a coisa...rs se voltou conta mim. E hoje sei que perdoar não é um gesto bonito diante dos olhos da religião, mas na verdade é a permissão de que as pessoas repitam o que fizeram. Pois sabem que serão perdoadas sempre que fizerem algo igual ou qualquer outra coisa que te machuque, te ofenda etc.
Mas claro que sou completamente a favor de deixar a paixão vir, crescer, te tirar os sentidos. Estou parecendo incongruente de certa forma. Mas a paixão não tem normas e isso é uma delicia.
E mais gostoso ainda quando você tem consciência que a paixão é muito maior, tem muito mais sentido quando você se permite se abrir para outra pessoa de uma forma tão plena que tira o ar e dar sentindo a sua própria vida, porque você aprende que nada mais vale tão quanto você e as pessoas que estão ao teu lado.
Fácil? Não, muito difícil.
É difícil “ouzar” fugir dos padrões.
É difícil silenciar a paixão.

 

 

Drica Gentile

 


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