

Relendo os textos que escrevi no link reflexões e lembrando do que o pessoal tem falado nos bares, nas festas, até mesmo no grupo de discussão do Ouzar, inevitavelmente volto minha atenção mais uma vez para a relação entre duas pessoas.
É impressionante a quantidade de queixas com relação à dificuldade de encontrar pessoas para ter um relacionamento mais profundo, e as histórias parecidas quanto ao famoso “pé na bunda”.
Pode-se dizer, em síntese, que nesses dois assuntos temos toda a complexidade que nós conseguimos transformar o “começo” e o “fim”.
O COMEÇO
O discurso tem se repetido: mulheres desinteressantes, mal cuidadas, acompanhadas etc.
Nessa parte temos chego no consenso que dificilmente se encontrará uma mulher que te interessa num bar GLS. Pode acontecer, e tem muitos casos. Mas o resultado de dias de frustração tem levado muitas a concluírem que há necessidade de irem a lugares diferentes, de participarem de reuniões. Aquela coisa de que uma amiga leva outra, que leva outra e aí pode surgir algo. E não são mulheres que estão caçando não. Apenas, como estávamos conversando outro dia, são mulheres que se sustentam sozinhas, mas que não entram no discurso de dizer que estão bem sós. Claro que todo mundo quer ter uma paixão, um amor. Mas essas mulheres que conversei, que compactuo do discurso, não saem por aí com a primeira que aparece por carência. Aquela coisa de ter uma muleta.
Na verdade, acredito que essa coisa de encontrar alguém ocorre no seu momento certo. Primeiro você tem que estar aberta a isso e segundo sair sem ficar encanada, sem expectativas. Todas as pessoas que conheço que estão com alguém que amam de verdade, contam histórias similares, ou seja, conheceram sua companheira ao acaso, que nem estavam pensando em achar alguém.
Claro que não adianta ficar escondida ou andar feito um bicho do mato. Assim só por milagre alguém, a cara metade e etc., vai aparecer.
E também é preciso saber que um encontro pode acabar num desencontro, quer dizer, pode surgir algo inicialmente, mas não ter continuidade...uma paixão que não se torna amor. Faz parte da dinâmica do encontro entre duas pessoas. E, é claro que falar é muito fácil. Mas a gente tem que ter ciência que de um encontro, no mínimo pode surgir uma boa amizade.
O FIM
Ai, ai, ai...o fim.
Coincidência ou não, todas as pessoas que conheço que tiveram o fim de sua relação dizem: “entrei com a bunda e ela com o pé”. E aí o discurso é muito parecido. Em todos os casos que fiquei sabendo a pessoa que “entrou com o pé”, fez um repertório de forma que quem “entrou com a bunda” saísse como a vilã da história. Além disso, todas tinham outra pessoa já engatilhada. Esperaram ter a certeza e aí terminaram o relacionamento.
E essas histórias tenho ouvido de homossexuais homens e mulheres, e de heterossexuais também.
Na minha concepção é natural e compreensível à bronca, a raiva inicial de quem levou o pé. Isso porque faz até parte do processo de elaboração da perda. Agora essa raiva de quem deu....aí a coisa realmente fica estranha.
Ora, se você é quem terminou o relacionamento, está com outra pessoa, qual a necessidade de agredir aquele que você até então tinha uma relação? Por quê precisa colocar a culpa no outro pela atitude que você está tomando?
Primeiro a dinâmica, o sucesso ou o fracasso de uma relação entre duas pessoas depende das duas, isso é, cada uma tem 50% de responsabilidade. Mas não cabe no momento falar do período em que ocorre a relação, a não ser ter estranhamento que de você troca palavras de amor, faz amor com a pessoa e, de repente, ela vira o “monstro“.
A questão é de onde vem essa necessidade de “sapatear”, podemos dizer assim, sobre a outra pessoa, principalmente quando essa ainda ama você? Qual a dificuldade de um diálogo final? Claro que quando a outra ainda te ama, ela vai sofrer, mas o sofrimento é maior quando ela fica com uma baita interrogação tatuada na testa, por não entender, e mais ainda quando se vê agredida.
Apesar da similaridade das histórias não sou muito adepta de generalizações. Acredito que cada caso é um caso, porque não existem pessoas iguais. Pode haver uma dinâmica parecida, mas jamais iguais.
De qualquer forma, acho que são dois pólos opostos de uma relacionamento que merecem ser pensados.
Drica Gentile
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