RESIGNIFICANDO SENTIMENTOS

 

 

De todos os assuntos discutidos em reuniões, nas mesas de bares, os que envolvem o coração são os que são mais constantes e polêmicos. Isso porque a gente parece que deixa de ter cérebro quando o coração está tomado pela paixão. E seguindo essa tendência, claro que retomo o assunto nas reflexões.

Quem não teve um amor ou amores?

Por mais que os relatos sejam parecidos, as histórias similares, um caso se diferencia do outro porque cada um é cada um, ou seja, os meus sentimentos doem mais dos que os teus justamente porque são meus. Nesse sentido, confesso ficar até surpresa com a identificação das pessoas diante de algumas coisas que escrevo, mas descobri que na verdade é a similaridade que pega, pois essa faz cada pessoa pensar, repensar na sua própria história.

A gente sempre pensa, relembra amores passados. Isso porque investimos em determinadas relações e, quando elas acabam, fica a sensação de fracasso, até mesmo de impotência diante do suceder dos fatos.

Ninguém entra numa relação pensando no término dela, no fracasso. E quando isso acontece, quando termina, a sensação é horrível e vai nos perseguir até o momento de conseguirmos, não esquecer, porque só uma louca para esquecer, mas tivermos a capacidade de resignificar a relação passada.

De certa forma sempre fica o desejo de uma nova tentativa, porque achamos, tendemos a crer que essa nova tentativa vai ser diferente. Mesmo que surja a possibilidade dessa nova tentativa, realmente ela será diferente, porque numa relação é feito um “contrato” não verbal e, com o término, esse “contrato” é rompido. Ao se tentar retomar a relação, caso não se tenha resignificado as ocorrências, um novo “contrato” não será firmado dando margem, espaço para mágoas, ressentimentos...etc.

Quanto ao esquecer a pessoa, não existe isso, a não ser que você adquira alguma patologia. Tudo e todos que passam pela nossa vida ficam na nossa memória. Não há apagar, como deletar. E aí novamente entra a importância de dar um novo significado para a pessoa que não está mais conosco. É adquirir a capacidade de enfatizar os momentos bons passados com ela, porque se ressaltarmos os momentos ruins, acabaremos nutrindo mágoas, raiva e isso realmente não faz bem. Seria como colecionar flores mortas, espantalhos e não se esteve com alguém pelo seu lado negativo (e todas nós temos nosso lado negativo). Quando alguém nos desperta a paixão é porque algo na pessoa se fez reluzir e nos conquistou.

Sei que falar é fácil. Mas realmente algo que não consigo fazer é alimentar raiva, desprezo etc. E não é coisa de auto-ajuda e nem demagogia. Simplesmente não consigo manter na minha lembrança uma imagem ruim de alguém que amei, que fiz amor, que verbalizei esse amor. O que dá ás vezes é uma certa tristeza quando alguma pessoa que amei faz um afastamento absurdo, como se nada tivesse ocorrido entre a gente.

Ressignificar sentimentos é, depois do tempo que a gente precisa para se recuperar de um amor que não deu certo, olhar a pessoa com outros olhos, é transformar a afetividade. E isso pode levar um tempo considerável, porque não é fácil, principalmente se houve uma convivência diária, mais ainda se o mesmo espaço físico foi compartilhado.

Ressignificar sentimentos é estar aberta para um novo relacionamento de forma sadia, sem entrar em crises, sem ter que evitar comparações.


Drica Gentile

 


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