

Durante muito tempo não conseguia ter qualquer demonstração de carinho na frente de outras pessoas, na rua. Às vezes até demonstrava nos nossos guetos. Hoje isso mudou. Ando de mãos dadas, fico junto... E ai olho para trás e penso o quanto conseguimos ser tolas. Esse tipo de atitude acaba enfatizando que amar uma mulher, amar uma pessoa do mesmo sexo é algo como, pecado, errado... E se continuamos nos ocultando, acabamos por ressaltar cada vez mais o diferente, o “anormal”.
Tenho meu lado careta, e acho um “ó” ver casais se comendo praticamente no metro, na rua. E to falando de casais heteros, porque é o que a gente mais vê por ai. E isso não é demonstração de carinho. Essa demonstração se traduz pelas mãos dadas, o toque, a troca de olhar, o beijo...
Como sempre, estava comentando sobre isso com alguns amigos. Enquanto agirmos como “ETs”, assim seremos tratadas. Uma amiga até comentou como achou muito legal me ver andando de mãos dadas com a atual dona do meu coração. Ela me viu ao acaso na rua. E foi justamente esse comentário dela que me motivou a escrever sobre isso.
Maluca essa coisa de você evitar fazer algo simples como andar de mãos dadas com a pessoa que você ama. Ai revi minhas posturas de alguns anos e realmente, acreditem se quiser, não consegui achar fundamento para elas. Receio do que as pessoas iam falar? Ué, iam, vão falar, quer dizer, pensar ou fofocar: “são sapatonas”: Sapatonas = sapatãos = sapatas = lésbicas = homossexuais = nós. Ora, que importa as verborréias dos outros quando estamos felizes?
Ando de mão dada sim, demonstro carinho sim. Só evito quando sei que estamos em lugar de gente machista. Isso para preservar nossa integridade física.
|Não tenha medo do que os outros vão pensar. A gente só é realmente feliz quando somos congruentes com nossos sentimentos.
Quando sair, dê a mão para sua ficante, namorada, mulher. É uma delicia sentir o amor, a paixão fluir pelas mãos.
Somos normais. Anormal é quem nunca amou ou se amargurou por um amor frustrado e passa a vida tentando infernizar a vida dos outros.
Drica Gentile
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