

Mês
da visibilidade lésbica. Mais uma vez a questão do se assumir
foi pauta das discussões do grupo de discussão do Ouzar e,
inevitavelmente, o retomo nas minhas reflexões.
Relatos e mais relatos, as histórias se mostram similares, sendo
o medo da rejeição um dos alicerces que levam grande parte
das mulheres que mantêm relações homoafetivas a não
serem congruentes consigo mesmas.
Conheço muitas mulheres de todas as idades que mantêm a chave
do armário em suas mãos; muitas segurando com tamanha força,
que chegam a sangrar sem verbalizar a dor e a sensação do
sangue escorrendo por seus dedos.
Por quê de tudo isso? Apenas o medo de rejeição? Será?
Às vezes fico pensando no quanto temos a tendência de complicar as coisas. Por exemplo no que se refere às relações. Quando estamos sozinhas ficamos criando empecilhos, arrumando desculpas. Ora, claro que quando estamos sozinhas sentimo-nos sós, com vontade de ter alguém para compartilhar nosso dia-a-dia, para fazer e receber carinho, atenção etc.
Quando estamos com alguém, deixamos o ciúmes, a desconfiança e um monte de coisas interferirem na relação. Ai é que penso que, talvez, muitas segurem essa chave com tanta força com medo de se libertarem; medo de serem felizes seja pelo tempo que for. Porque o amor não é para sempre, ele é, como já dizia Vinícius de Moraes: eterno enquanto dure.
Mas a chave permanece apertada na mão, como se fosse um risco de morte deixá-la seguir o seu caminho. O cadeado, a fechadura atrai a chave. Mas muitas insistem em acreditar que o armário está trancado.
A porta está aberta, basta se libertar da ilusão que se tem o poder de se ser o que não é.
Quantas mulheres se escondem de si mesma com receio, não de serem rejeitadas pelos outros, mas por medo de serem livres para amar, para serem o que são? Escondem-se da família, dos amigos, dos colegas de trabalho, como se ninguém desconfiasse de algo. Muitas mudam o nome de suas mulheres para o gênero masculino; outras tantas inventam namorados.
Faço uma pergunta que fiz a mim mesma:
O que você teme na verdade em se enganar que mantém a chave na sua mão?
Drica Gentile
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