

Sei que o correto gramaticalmente é “veja-me”, mas o
apelo para alguém te olhar, para te ver, é para muitos, um
grito silencioso onde não cabe a gramática e sim a ação...
ME VEJA!
Uma amiga me contou de um documentário que assistiu, onde um morador de rua disse que queria ser visto, porque era muito triste as pessoas passarem por ele sem olharem; é como se ele simplesmente não estivesse lá.
Mas não é só os moradores de rua que se sentem carentes de serem vistos. Muitas pessoas andam carentes de atenção, até mesmo de um simples oi.
Talvez a carência venha da tal modernidade que faz com que as pessoas tenham pouquíssimo tempo para si e para os outros. Quando nos deixamos levar pela correria do dia-a-dia, o tempo passa e deixamos de ver as pessoas, assim como elas deixam de nos ver. E, de repente, em algum momento da vida a gente grita: ME VEJA!
Tenho conversado com muitas pessoas pelo MSN, e até mesmo por e-mail e essa carência de atenção tem se mostrado muito evidente. Coisas de lésbicas? Creio que não, mas é claro que a mulher, pela sua própria natureza, é mais sensível. Se bem que conheço muitos gays extremamente carentes. Mas ai também tem a questão que os homens homossexuais se permitem muito mais do que os heterossexuais no que se refere as suas emoções, a sua sensibilidade.
E essa carência parecer ser mundial. Uma das provas disso é o seriado norte-americano, The L Word, onde podemos ver claramente a carência das personagens. Apesar de ser um seriado de ficção, a autora reflete o que vivencia.
Seja como for, o fato é que as pessoas estão carentes de atenção; querem ser vistas, amadas, respeitadas, ouvidas.
Como mudar isso? Acredito que o começo seria um olhar sobre nós mesmas. Como andamos pela nossa casa, no nosso trabalho, pela rua.
Costumo dizer que bom dia, boa tarde, boa noite, por favor, obrigada, são palavras mágicas. Um sorriso sincero, uma ação milagrosa.
Ninguém perde nada parando um segundinho para dizer “oi”.
Sabe, se fala tanto de paz, de amor, de humanização, e se a gente permitir, acabamos por tirar essas coisas da nossa própria vida.
Quantas de nós, lésbicas, precisamos conversar, encontrar nossas iguais para sermos compreendidas? Quantas vezes precisamos apenas dizer: “ei, não to bem, você pode falar comigo um pouquinho?”
Quantas vezes você precisou se olhada? Quantas vezes gritou silenciosamente: ME VEJA!?
Precisamos das pessoas, assim como elas precisam de nós.
Permita-se vê-las.
Drica Gentile
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