REDE

 

 

 

A Internet se tornou, entre outras coisas, um enorme ponto de encontro para relacionamentos.

Há quem diga que as salas de bate papo e o Orkut são fontes de término de relacionamento. Bem, dois relacionamentos meus terminaram com a ajuda desses bate papos, mas na verdade, as salas de bate papo não foram o motivo do término, mas simplesmente a maneira de encontrar alguém que desse suporte para o término de relações que já não estavam bem.

Mas a Internet também é encontro, e muitas pessoas encontraram suas atuais companheiras pela net. Claro que há casos cômicos, como aquela coisa da pessoa mentir sobre como ela é e, no momento do encontro, ser uma baita decepção.

Meu primeiro encontro com a alguém da Internet foi há seis anos. Nossa foi maluco, porque pela descrição dela, pintei uma figura absurda e, ainda hoje, brinco que ganhei na loteria; ela é linda. Paixão a primeira vista que durou 4 anos e meio.

Depois disso não me aventurei mais, quer dizer, até me enamorei via on line, mas nada mais do que isso, quer dizer...rs claro que a gente acaba sempre se encantando com alguém. A sedução rola solta pela rede mundial de computadores. Até as mais tímidas se tornam altamente sedutoras. E tem que ter muito sangue frio para não se deixar levar. E claro que às vezes também faço o jogo de sedução. Quem não faz ou não fez um dia?

A Internet é um reflexo, uma ampliação do que ocorre fora dela. Claro que facilita para as mais tímidas, mas é uma rede onde se tem acesso a tudo e a todos. Uma rede de encontros, desencontros e reencontros. As pessoas se apaixonam, se desapaixonam, traem, respeitam... exatamente como fora dela.

Uma única coisa diferente é que a Internet ampliou a possibilidade das pessoas se relacionarem à distância. Muitas pessoas namoram com pessoas de outras cidades, outros estados e até mesmo outros países, por meio da Internet.

É possível? Bem, ai depende muito de pessoa para pessoa. Conheço pessoas que conseguem e se dão bem, mas que chegam num determinado momento que uma se muda para onde a outra está. Acho meio inevitável isso porque o amor acaba se completando com a presença, com a convivência. Mas claro que falo isso por mim, talvez alguém consiga viver um amor a distância, com alguns esporádicos encontros. Hoje eu sei que, para mim, e por ter vivenciado isso, não serve. E não foi ninguém que conheci pela Internet não. Na verdade veio bater na minha porta, por meio de uma amiga, por outro motivo e acabamos ficando. Ela do Rio, eu de São Paulo. Não namoramos, apenas ficamos. Nosso acordo era de que quando estivéssemos na mesma cidade, ficávamos. Nos falávamos e ainda no falamos (nos tornamos amigas) todos os dias pelo skype. Até que chegamos a conclusão que ambas precisávamos de alguém que estivesse com a gente onde quer que fossemos. Tudo bem que era uma delícia quando estávamos juntas, mas a maior parte do dia estávamos longe e muito longe. O falar no áudio, a web cam, não supriam o cheiro, o toque... e não estou falando só na questão sexual. Sabe aquele momento que você quer só deitar no colo de quem você ama? Se bem que tem muitas relações que, mesmo convivendo no dia-a-dia de forma presencial, esse colo não rola. Ai que a questão do espaço e do tempo se tornam relativos. Pode-se se estar extremamente próximo mas numa distância absurda e, se estar distante, mas completamente próximo.

O que vai fazer a diferença é o toque; os olhos nos olhos; pele na pele.

Talvez a busca do meio termo seja o mais próximo do ideal. Não ouso afirmar.

Seja como for, a Internet é real. Está ai. Tem ônibus, avião, navio, trem... tem o que move ao encontro do que parece ser impossível.

No demais, o que tiver que ser, sempre será... inevitavelmente.

 

Drica Gentile

 

 

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