
NA PRATELEIRA

Dizem que quando se está sozinha se está na prateleira (adorei esse termo a primeira vez que ouvi). E nesse contexto de estar na prateleira, outro dia uma amiga, diante das pessoas que estavam num lugar, olhando em volta, comentou que tem ido num monte de bares e boates e tem visto pessoas no mesmo estilo. Disse que se divertiu, mas que ficou pensando o quanto estava feliz por ter uma namorada, mas que ao lembrar da época que estava sozinha, logo pensou o que faria diante disso tudo, ou seja, nenhuma mulher interessante. E esse interessante referiu-se às mulheres que se cuidam, que são simpáticas, agradáveis.
O consenso é que tais mulheres não vão a guetos quando estão sozinhas, e se vão é com amigos para se divertirem. Onde estão? Misturadas por aí. E quando a conversa chega nessa conclusão tem sempre aquelas que dizem que estão perdidas porque vieram com defeito de fabricação, ou seja, sem o tal “gaydar”.
As poucas que conheceram alguém nos guetos são porque foram apresentadas por alguma amiga. É essa coisa de você convidar uma amiga para ir com você no bar ou na boate e a apresenta para tuas amigas e, de repente pode ocorrer algo nesse encontro. Isso aconteceu inclusive comigo.
O por quê dessa dinâmica? Não tenho a mínima idéia. O fato é que quando bate a carência em alguém, e essa pessoa não se satisfaz com “muleta”, acaba ficando depressiva. E volto a falar que “muleta” é o termo que uso quando alguém fica com alguém por não se sustentar só, aí acaba pegando qualquer pessoa. E é impressionante como tenho me deparado com pessoas assim. É muito triste você ver pessoas com outras porque não conseguem ficar sozinhas, e fica nítido na cara delas que estão infelizes, porque os olhos traem o sorriso estampado no rosto, bem como a insistência de verbalizarem o quanto estão felizes.
Mas o pior desse contexto é que os guetos, as salas de bate-papo da Internet, Orkut, Beltrano, etc., viraram alvo de garotas de programas que perceberam que há muita mulher carente. Além de mulheres carentes que acabam se sujeitando a se tornarem muletas de quem não se sustenta só.
Claro que se quer amar e ser amada, quer se estar com alguém, trocar carinhos, conversar, fazer amor. E realmente, quando bate a carência se olha para os lados, muitas vezes surge o desânimo. Mas talvez não se esteja olhando direito, e muito menos para todos os lados. E isso não é frase de livro de auto-ajuda não. Ás vezes ficamos tão obcecadas com determinadas coisas que acabamos ficando cegas para o que está bem diante de nosso nariz. Isso porque temos o hábito de achar que tudo que está fora de nossos olhos é melhor.
No meio das mulheres desinteressantes sempre tem uma interessante. Ao nosso lado, quando for o momento, terá alguém interessante. Basta que nos permitamos olhar porque nem todas irão acenar, brincar para chamar a nossa atenção.
Uma coisa é certa, se você está na prateleira é porque se dá valor e busca algo mais do que um simples ficar por ficar.
Drica Gentile
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