MEDO DE RELACIONAMENTOS

 

 

 

Um fenômeno constante e, até natural, entre as pessoas que tiveram alguma frustração ou sofreram demais num relacionamento, é passarem a ter medo, receio de se relacionarem novamente.

O medo vem da história anterior se repetir e se sofrer ou se frustrar novamente.

Já passei por isso, e claro que sempre que me interesso por alguém, dá um frio na barriga; surge o receio de me envolver e passar novamente por frustrações e/ou sofrimento. E conheço muitas amigas que têm esse mesmo receio. E ai, o que a gente faz diante disso?

Tem gente que prefere se isolar. E ai ou se defendem dizendo que estão muito bem sozinhas, ou ficam sonhando, se masturbando com possibilidades. Mas no real, se isolam, se esquivam diante de um possível novo relacionamento. Onde se chega assim?

Não é uma questão de julgar, mas de instigar uma reflexão de si mesma, de suas atitudes diante da vida.

Claro que todas, no fundo, sonhamos com o conto de fadas, com aquela história de: “... e foram felizes para sempre”.

Todas queremos um amor como nos filmes, nas novelas. Só que os filmes, as novelas, os contos de fadas, tem que ter um fim, e ai se deixa no ar a “felicidade eterna”.

Na vida, esses momentos de felicidade eterna, geralmente, acontecem nos primeiros meses da paixão. Ai vem o convívio, os problemas, a individualidade. E é justamente nessa fase que o recriar, o renovar é fundamental para ativar a brasa da paixão.

Mas por mais esforços que se faça, muitos relacionamentos não dão certo, não há uma continuidade da paixão. Foi-se o tempo do: “declaro mulher e mulher até a morte as separe”.

Muitas podem dizer: “Ah Drica, falar é fácil, você não sabe o que passei, ou o que estou passando...”

Claro que não sei exatamente o que você está passando, porque cada um é cada um, mas passamos por histórias similares. Faz parte do nosso show enquanto humanas.

Quando me apaixono também desejo que seja eterno; faço juras de amor, declarações sem fim. Mas o amor é algo estranho e aprendi a permitir que ele se transforme e, hoje, sou amiga das mulheres que me apaixonei, com exceção de uma, por opção dela.

Fácil? Claro que não. Há um período de sofrimento, de “desinvestimento” do coração, da alma.

Ainda tenho medo de relacionamentos, mas minha motivação é a paixão e, ai, não consigo trancafiar o coração. Deixo-o aberto e, quando surge aquela que o faz bater mais forte, meio que descompassado, busco viver com a intensidade que me é própria. E cada momento que vivo a paixão, é algo que me dá cada vez mais certeza que vale a pena se permitir a paixão. Porque os momentos juntas, na paixão, são impares. É descoberta da outra, a redescoberta de si mesma.

Medo?

Óbvio que tenho também, mas se a gente não se permitir, nunca saberemos, nunca viveremos o real; os olhos nos olhos, pele na pele.

Há sempre o risco do sofrimento, mas também a chance do prazer.

Há duas opções: se esconder e ficar sonhando com um amor, se masturbando no que poderia ser; ou arriscar em realizar seu sonho e gozar na troca com outra mulher que também te quer, ao menos no momento que estão juntas.

Quem dera o: “e foram felizes para sempre”. Mas já que isso é um conto de fadas, que eu seja feliz enquanto durar.

Medo de relacionamentos todas temos. Mas se nos deixarmos mobilizar por ele, jamais viveremos na plenitude, mesmo que por um tempo.



 

Drica Gentile

 

 

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