
Que há um culto a beleza, isso é verdade. Mas por quê impor padrões, inclusive de lésbicas?
Assim como na raça humana, no universo lésbico há uma diversidade de estilos, de formas de ser, e cada estilo deve ser respeitado.
Existem lésbicas masculinizadas, femininas e os estilos andróginos. Há magras, em forma e obesas. Somos, em essência, humanas, e como tal, diversas em nossa forma de ser e de estar.
Assim como há a diversidade de estilos, há a diversidade de gostos. E há lésbicas que preferem as mais masculinizadas, outras as mais femininas e por ai se vai.
Tentar estabelecer um padrão é ir ao de encontro ao que tanto lutamos, ou seja, o respeito.
E é sobre isso que estava conversando outro dia com a Irina, da INOVA.
Infelizmente há um preconceito absurdo dentro do universo das pessoas que mantêm relações homoafetivas, que muitas vezes se torna pior que a homofobia presente na sociedade dita tendo como padrão de normalidade - a heterossexualidade.
Conversamos sobre o fato de que muitas desconhecem a sua transexulidade, isso é, que na realidade são transexuais masculinas, mas que muitas simplesmente optam por ter uma postura mais masculinizada.
Tenho amigas de todos os estilos, inclusive algumas extremamente femininas com as quais costumo brincar que parecem travestis, devido a maneira de ser tão feminina, que se tornou rara nos dias de hoje. Aquela coisa de cruzar a perna suavemente, ser toda delicada etc. Digo rara porque o dia-a-dia da mulher na modernidade retirou de nós essa “feminilidade” que, aos olhos de muitos, parece ter um certo tom de futilidade.
Uma coisa é ter o discurso que determinado estilo não lhe atrai, outra é sair pregando que esse ou outro estilo não é ser “lésbica”. É absurdo tentar impor um padrão.
Machinho ou estilo Barbie, uma coisa que todos que me conhecem sabem que prego é o cuidar-se. Ai é outra coisa. Seja homo ou hetero, mulher ou homem, é preciso se cuidar, cuidar da saúde. E pego no pé mesmo no que se refere aos distúrbios da alimentação, ou seja, anorexia, bulemia e obesidade. Seja qual for deles, todos têm graves conseqüências para a saúde, e requerem um tratamento com uma equipe multidisplinar, basicamente de psicólogo, nutricionista e endocrinologista.
Esse olhar não é culto à beleza, ou padronização, mas sim de preservação da qualidade de vida.
Mas isso é outra história, que vou falar na parte de qualidade de vida.
No momento, aqui, o que interessa, é a forma de se apresentar.
Se você se sente bem tendo um estilo mais machinho, é seu direito de assim estar; se sente bem mais Barbie, direito seu; mais andrógino, direito seu.
Não há um padrão de ser lésbica.
Somos mulheres na nossa essência, com as especificidades que nos convêm.
Respeito, isso sim é fundam
Para quem não sabe, uma das interações do Ouzar
é o grupo de discussão Ouzar (Yahoo grupos).
Essa semana uma das nossas associadas apresentou as dificuldades que está
enfrentando com seus filhos.
Dentre as opiniões das demais, chamou-me especial atenção
a fala da Dani e, com sua devida autorização, transcrevo aqui,
por considerar muito proveitosa para muitas.
Drica Gentile
Tô
achando muito interessante essa discussão e mais ainda achando muito
interessante a dinâmica de olhares, de pensamentos, experiências...
A questão da adolescência, mesmo que "só mude de
endereço" é uma expressão em cada relato.
É um que tem vergonha, é outro que se revolta, é outro
que olha de canto, é outro que não fala nada e outro ainda
que fala tudo... e o mais interessante é que muitas já se
identificaram com essas sensações... quem nunca fez uma cena
dessa que atire a primeira pedra.
Mas o que me chama mais a atenção em toda essa discussão
é a sensibilidade a questão e a importância da manutenção
do vínculo familiar, ou melhor, a confirmação que a
instituição chamada FAMÍLIA é sempre muito presente,
mesmo que queiram arranjar outros nomes e colocá-la em outras definições
ou até dizer que ela já está falida e não existe
mais.
Eu não tenho filhos, nem cachorro e nem gato, aliás, algo
que vou ter que ceder, pois é instinto humano CUIDAR...
Está claro e muito bonito observar o SER CUIDADORA de cada uma. As
preocupações que afligem, as resoluções imediatas
para que fique tudo bem, os preconceitos existem fora e dentro de nós,
as dificuldades e facilidades de assumir uma vida a dois quando temos uma
sociedade que ainda interpreta de forma negativa a união entre mulheres
ou entre homens (apesar que não podemos negar os avanços),
sem contar os conflitos existentes com aqueles que sempre pensamos que podemos
contar, mas nem sempre contamos: a Família, seja ela de origem, por
agregação, por escolha, afeto etc etc etc...
Em alguns momentos da minha vida tive vontade de não ter família...
aliás, acho que vivo ainda um momento assim, tanto que vivo um momento
de distanciamento de tudo e de todos. Mas o interessante é que com
meus pais, por mais que tenho visitado com pouca freqüência,
tenho me comunicado com mais freqüência... entendem isso???
E aí fico pensando. Mãe é Mãe e Pai é
Pai, podemos amá-los e odiá-los ao mesmo tempo... e isso vai
depender de como construímos e também de como queremos construir
essa relação.
Primeira coisa, que eu acho essencial é nos livrarmos de culpas (tanto
os pais como os filhos), pois penso ser esse o começo da aceitação
de nossos limites. Tenho certeza que todas vocês fazem o melhor para
seus filhos, assim como os filhos tb querem fazer o melhor (tanto que chamam
muita atenção a todo o momento), mas um caminho primordial
já falado aqui é o caminho do diálogo, do olhar nos
olhos e do acolhimento de qualquer situação que seja.
O tempo, penso ser um grande amigo, apesar de ser também desafio,
mas é ele que te indica a hora que o sol nasce e a hora que ele se
põe. Ele indica quando temos que esfriar e quando temos que nos aquecer.
Ele que mostra a hora de destruir, mas de construir também.
Acho que teria mais para falar... sei lá, a gente vai se falando...
Enfim, meninas, minha reflexão acerca desse debate sobre Família.
Bjs
Dani
ental!
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