

André Fisher falou algo que me chamou a atenção:
“É preciso dois para dançar um tango. É bom lembrar também que há sempre um que conduz – ainda que a condução varie de acordo com o momento ou situação. Se os dois quiserem conduzir ao mesmo tempo, o resultado virá na forma de pisões e perda do ritmo”.
Examinando todas minhas relações, tanto na questão de cama como no dia-a-dia, chego a conclusão que André tem razão.
Quando
estabelecemos uma relação com a outra, quando convidamos alguém
para dançar, sempre uma terá que uma assumir a condução,
porque se não a dança não se faz.
Daí lembro a fala de uma das minhas ex quando vai dançar com
alguém e se depara com uma que quer conduzir também: “não
dá pra gente dançar juntas, ela também quer conduzir”.
Há um certo risco ai, porque quando se quer apenas conduzir, corre-se
o risco de dançar sozinha.
O fato é que duas pessoas, numa relação, não
conseguem tomar a condução ao mesmo tempo. E é ai que,
talvez, as divergências aparecem, os conflitos se estabelecem.
Talvez o segredo se encontre no revezamento, no abdicar e reivindicar. Mas
isso envolve num jogo de cintura, num contrato não verbal que nem
sempre é estabelecido.
Quem sabe se trouxéssemos para o dia-a-dia situações
que se fazem na cama (ou seja onde for). Mas parece que trazer a dinâmica
da cama para a vida do dia-a-dia é algo absurdo demais, porque, ouso
dizer, que o sexo ainda é carregado de tabu e não conseguimos
transportar sua dinâmica para outra dimensão. Mas deveríamos
porque é praticamente unânime a questão de que se a
cama não rola bem, a relação não flui.
Será que o senhor Freud estava certo?
Seja como for, a maioria das pessoas estão em busca do prazer. No
entanto, parece que, quando “amadurecemos”, vivemos boicotando
esse prazer. Sempre criando expectativas e cobrando da outra a realização
dessas, mesmo que ela nem tenha conhecimento de nossas expectativas. Ai,
quando nossas expectativas não são correspondidas, fazemos
um repertório de ofensas, de maluquices e atacamos em quem queremos
apenas que esteja ao nosso lado, ou seja, pisamos no pé dela enquanto
dançamos, porque saímos do ritmo.
Sabe, nunca consegui dançar junto, porque na hora da dança ouvi o discurso que são dois pra lá e dois pra cá. E ai lembro do filme “Vem dançar comigo”... a dança só se faz quando os corações batem em sintonia.
É na sintonia que um conduz, depois o outros, e por ai vai...numa dança eterna enquanto a música não pára.
DRICA GENTILE
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