AMOR DE VERÃO
Do nada aparece alguém que te tira o fôlego. Não tem como explicar. De repente um turbilhão de sensações. De emoções parecem dominar cada instante que respira, sensação inenarrável.
Numa decisão unilateral é colocado um ponto final e a sensação que fica é que tudo não passou de uma ilusão.
Os beijos, os abraços, o desejo, o gozo se transformam em mero instinto animal. As palavras ditas em simples reflexo do tesão, um tipo de legenda para uma seqüência erótico-sensual de dois corpos numa espécie de dança dionisíaca.
O sentimento vira equação matemática aplicada na física que avalia pessoas e medidas resultando numa teoria quântica que mostra que o parece ser na verdade não é, ou pelo menos tenta-se mostrar que não era bem isso.
E como toda teoria implica em explicação, em justificá-la, o discurso se faz com base no desculpar-se, no me enganei, ou no gosto mas não estou disposta a..., e em tantas palavras que chega o momento que você dá um berro e diz algo como: “ok, você me deixou no meio do salão porque optou não mais dançar comigo, mas dá um tempo, a música continua a tocar e só sei dançar ela entre olhares com você.
Teu cheiro continua na minha cama, teu gosto na minha boca. Pensar em teu toque, em ti, ainda me deixa molhada. São sensações que levam um tempo para se aquietarem. Tudo fica sensível assim como o corpo depois do gozo.
Uma relação amorosa é como uma dança...passos que vão sendo marcados, que requerem ensaio, dedicação, uma música que dê o ritmo...coração e alma livre de regras...apenas o respeito como norteador.
A dança e o amor por si só, por mais prazeres que gerem, não pagam contas. Mas podem ser a força motriz, a base de um grande espetáculo – a nossa própria vida – um Paux de Deux em constante recriação.
Quando se fixa a mente nos passos marcados, deixasse de ouvir a música e a dança não se faz...no palco apenas um corpo movendo se mostra.
Um amor de verão é quente, picos de tempestade, nuvens cinzas, pode devastar, pode queimar, mas jamais se saberá no que poderia dar caso se opte por fechar a janela.
O verão passa e o amor se esvai como lágrimas na chuva.
Drica Gentile
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